quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Remember me.

Querida Joana,
Lembro-me de tudo o que disseste, na realidade as tuas palavras não me saiem da cabeça, mesmo passado tantos anos elas continuam marcadas no meu peito.

Lembras-te quando eramos pequenas e disses-te que um dia iamos ter que sair do nosso quarto? Iamos ter que deixar as nossas pequenas brincadeiras e sair de casa. Lembras-te quando tinhamos 10 anos e tu disseste que um dia a vida não ia ser só internet e que a magia se encontrava lá fora? Bem, enganaste-me. Nós quando começamos a sair de casa perdemo-nos, nem sei onde te encontras neste momento, talvez já nem na terra estejas.

O primeiro dia das nossas vidas disseste tu, saimos de casa bem cedo e apanhamos o primeiro autocarro que apareceu com rumo para lado nenhum, encontramos diversas pessoas e depois voltamos para casa ao fim do dia cheias de lembranças.

Foi o melhor dia das nossas vidas.

Apartir desse dia nós arriscamos mais e mais e mais. Queriamos viver tudo, fazer tudo. Dizias que não podiamos perder mais tempo dentro de casa, não podiamos viver mais tempo a sonhar. Ouvias a nossa mãe sempre a dizer que tudo tem o seu tempo, mas estavas com pressa, com pressa de viver. Querias aproveitar cada segundo que respiravas.

Hoje encontro-me aqui sem saber o que fazer depois de já ter feito de tudo um pouco.Tenho saudades do teu espirito de viver, sempre dissemos que iamos morrer jovens mas mesmo assim aproveitavamos tudo ao máximo. Onde estás tu? Preciso de ti agora, cada vez penso mais que devia deixar o tempo passar e não me mover. Na realidade, hoje em dia mal saio de casa, tenho medo de viver, tu sabes tudo aquilo que fizemos, tudo aquilo que não fizemos.

Estou simplesmente a espera da morte, tu sabes como ela me engana sempre, a quantidade de vezes que estivemos para morrer e pelo menos eu continuo aqui. Aqueles dias, aquelas noites em que vimos mesmo a morte a passar à nossa frente. Tenho saudades desses tempos, eu e tu e o mundo num só.

Espero que te encontres bem onde quer que estejas.

Lembra-te,
émmana.


1 comentário: