sábado, 30 de outubro de 2010

Um dia.

'Lembro-me de ver uma rapariga bem mais alta que eu, com mais atitude do que eu, que ria por tudo. Enquanto a acompanhava à rua ela tirava um cigarro e fumava, meu pensamento sobre ela era que uma rapariga tão alegre escondia uma tristeza enorme por dentro.'
http://marianacreal.blogspot.com/2010/10/um-dia.html


Sinto a tua falta mariana <3

domingo, 24 de outubro de 2010

Nostalgia.

You know that is like the end of the world. I saw your face running through mine when that is impossible and I have felt things that I never had felt before. It's starting to consuming me, consuming you, can you feel? Maybe not. How can I feel things that you can't feel too? How can I see things that can't see me?
Your poison is running through my veins, I should stop it, I should run but you see that I'm gettin close without doing nothing.

I want to forget everything since the day I was born and I want to believe that everything was normal once. I remember when I wasn't feeling anything, anything at all, everything was so empty and so cold.
I'm dying, I hope your dying too.

For the first time I feel ok, I feel ok, I know that I'm still dying but at last I'll die happy.

I'm unwanted and unneeded, waste of skin and for the guys who never fit in I'm god on earth. I belong everywhere and everywhere belongs to me, like everyone belongs to me and I belong to everyone.
Live or die? It's just a choice. Don't say that life sucks, you have a chance to move the world, to do something, just do it, do everything and repeat it.
If you have a body and a mind you just have to live with it if you want to live, believe more in yourself, in the world and just live it. FUCK LIVE IT. If you don't want to live just die. Sounds easy.

Now that I'm finally dying I want to die happy and I'll die. Just don't think, just do it, feel it, believe it  and creat it.


The world is spinning.
And I can't belong to you.


domingo, 10 de outubro de 2010

Reflexão.

"Partida

Ao ver escoar-se a vida humanamente
Em suas águas certas, eu hesito,
E detenho-me às vezes na torrente
Das coisas geniais em que medito.

Afronta-me um desejo de fugir
Ao mistério que é meu e me seduz.
Mas logo me triunfo. A sua luz
Não há muitos que a saibam reflectir.

A minh'alma nostálgica de além,
Cheia de orgulho, ensombra-se entretanto,
Aos meus olhos ungidos sobe um pranto
Que tenho a fôrça de sumir também.

Porque eu reajo. A vida, a natureza,
Que são para o artista? Coisa alguma.
O que devemos é saltar na bruma,
Correr no azul á busca da beleza.

É subir, é subir àlem dos céus
Que as nossas almas só acumularam,
E prostrados resar, em sonho, ao Deus
Que as nossas mãos de auréola lá douraram.

É partir sem temor contra a montanha
Cingidos de quimera e d'irreal;
Brandir a espada fulva e medieval,
A cada hora acastelando em Espanha.

É suscitar côres endoidecidas,
Ser garra imperial enclavinhada,
E numa extrema-unção d'alma ampliada,
Viajar outros sentidos, outras vidas.

Ser coluna de fumo, astro perdido,
Forçar os turbilhões aladamente,
Ser ramo de palmeira, água nascente
E arco de ouro e chama distendido...

Asa longinqua a sacudir loucura,
Nuvem precoce de subtil vapor,
Ânsia revolta de mistério e olor,
Sombra, vertigem, ascensão - Altura!

E eu dou-me todo neste fim de tarde
À espira aérea que me eleva aos cumes.
Doido de esfinges o horizonte arde,
Mas fico ileso entre clarões e gumes!...

Miragem rôxa de nimbado encanto -
Sinto os meus olhos a volver-se em espaço!
Alastro, venço, chego e ultrapasso;
Sou labirinto, sou licorne e acanto.

Sei a distância, compreendo o Ar;
Sou chuva de ouro e sou espasmo de luz;
Sou taça de cristal lançada ao mar,
Diadema e timbre, elmo real e cruz...

. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .

O bando das quimeras longe assoma...
Que apoteose imensa pelos céus!
A côr já não é côr - é som e aroma!
Vem-me saudades de ter sido Deus...

    *      
*      *

Ao triunfo maior, avante pois!
O meu destino é outro - é alto e é raro.
Únicamente custa muito caro:
A tristeza de nunca sermos dois..."

Mário de Sá-Carneiro

sábado, 9 de outubro de 2010