segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Humaine.

Dou por mim coberta de sangue 
No meio de lençóis ensanguentados, 
No meio de liquidos indesejados.
Abriste-me as pernas e esventraste-me.
Esperei tudo menos isso de ti
Mas como sempre eu menti,
Menti quando disse que não me importaria
De algum dia viver sem ti.
Não sem ti mas sim sem ti do que me tiraste

Brincas-te e então fartaste-te
Criaste mais um putedo no mundo
Mais outro ser imundo.


Nem uma lágrima deitei desde esse dia,
Mentiras eu criei a partir dessa ira
Tornei-me em tudo o que eu mais temia
E com um leve sorriso eu agarrei-me à vida
Duma maneira insana e lívida
Duma maneira insana fiquei em divida
Para com a morte que criara
Tal como tu te fartas-te,
Eu desesperara com a falta de humanidade
Com a tua enorme falta de dignidade.


Dou por mim sóbria
Ao fim de um longo mês da tua ausência
Não tua pessoa mas sim tua coisa que me tiraste
E vejo como tudo em mim penetra na iminência
Do alto imundo do ser.
Espero continuar com dias mais infinitos
Com dias mais longos a voar por entre vales interditos.


émmana.


Hoffmansthal: "A profundidade está escondida. Onde? Á superfície."
Wittgenstein: "O que está oculto, não nos interessa."




1 comentário:

  1. nem tenho palavras para descrever o que acabei de ler, lindo.

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