terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Light that goes...

(...) Light that returns.

Pétala que em vez de cair flutua,
Que não parte, em vez disso continua
Como se a gravidade não a machucasse,
Pequena pétala ensina-me a ser tão bela.
Ensina-me que a gravidade não é uma cela
Que nos limita a cair e a ficar sem sitio para onde ir.


- And it hurts knowing that we're under the same starry sky like once.
I have deleted all my memories but now I want them back. I just want them back, I don't have anymore to say, I just want them back.

I just want them back.


Ouvia os teus passos a vir do fundo, o que tu deves ter sofrido, só penso no que tu deves ter sofrido então sorriu porque não me sobra mais nada a não ser esse arrepio que me faz viver ao te ver sofrer.
Passaram tantos anos desde a última vez que te vi, já fomos pobres crianças a brincar num jardim inventado pela minha fantasia que destruíste ao dizer-me que não era real e que nada à minha volta existia, tinhas razão, tudo se desvaneceu mais tarde e apercebi-me que não era um jardim, era uma sala e que eu estava simplesmente no meio de um tapete enfadonho, mas, tu continuaste lá, mesmo nunca teres tido nascido, continuas-te lá.
Passamos dias a acreditar para nada, apenas ilusão.

Corremos ao vento mais tarde, lembro me eu agora, corremos porque nada disto era real então a morte também não o era, pena ser tarde de mais quando a desafiamos, pena ser tarde de mais para nos arrependermos pois esta sempre foi real, a morte. E a tua? Nunca irá existir pois nunca nasceste, quem me dera que um dia tivesses nascido.
Então arrependemos-nos, viramos costas uma à outra e que saudades tuas.
A morte também fora sempre irreal e que saudades dela.

sábado, 22 de janeiro de 2011

A não tão maravilhosa escola artística soares dos reis.

Escrevi recentemente um texto sobre esta escola no meu fotolog, mas não sinto que chegue, não sinto. Ainda não tinha falado sobre a escola em si mais cedo pois ainda não tinha uma opinião formada.

Esta escola não é assim tão maravilhosa e muito menos artística. Lá criam-se tudo menos verdadeiros artistas, criam-se pessoas formatadas, sem ideias próprias. É tudo muito parecer e pouco ser, as pessoas são tão vulgares. Numa escola onde era suposto sermos livres de preconceitos é onde eu vejo mais preconceito e descriminação.
As pessoas na soares dos reis, não digo todas mas em geral estão lá tudo menos pela a arte, metade delas estão "fritas" e a outra metade formatadas. Onde a liberdade de expressão devia estar em primeiro lugar, é onde me sinto com menos liberdade de expressão e isto nada tem a ver com as aulas, mas sim com o ambiente em geral.
Pessoas que conheci fora da soares e que depois foram para lá mudaram completamente, vejo pessoas que já foram grandes amigas minhas a serem influenciadas pelas aparências e a juntarem-se em grupos medonhos onde quem mais parecer ser o que não é, melhor.
Sinto que se a minha opinião não for igual à maioria muitos irão criticar mesmo que tenha argumentos para a defender, eles não ligam, é como se fosse tudo muito certo e tivessem de seguir certos panoramas para lhes darem certo estatuto.
Não podemos reagir de forma alegre ou espontânea a certas situações. Se o mundo estiver a cair não podemos entrar em pânico se não ui, que bicho de sete cabeças, já não somos superiores.
Mania da superioridade só porque andam na soares, se querem saber andar na soares é a maior MERDA!

Tenho dito.
Um dia espero que aquilo volte a ser uma escola para artistas, para pessoas que são para além de só parecerem, que não vivam de eufemismos estupidos. Esta escola podia ser tanto, em vez disso é uma escola exactamente como as outras onde a aparência ainda é mais importante.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Life will kill you and your dreams.

Entramos como se fossemos deuses cobertos de sangue, prontos para sugar-mos atenções e olhares. Sete ou seis anos depois deixamos de ser novidade, deixamos de parecer deuses, mostramos defeitos e deuses são perfeitos então se outro aparecer coberto de sangue vindo do nada aí é que deixamos mesmo de o ser.
Entramos em composições do sistema, estranhas formas da suposta realidade onde sobrevive quem mais dar, numa luta constante pela marca que queremos deixar.
Passado uns anos continuamos lá, inseridos no meio da javardice que fizeram na suposta realidade onde nos deixaram desde os sete, seis anos. Começamos a ver que cada vez se torna uma luta patética que nunca servirá de nada, nunca ninguém ganhará nada. Perdemos, perdemos-nos e desistimos simplesmente, somos uns derrotados da existência, tentamos mudar e revoltar-nos mas nada disso adiantará então deixamos-nos levar pela vida dia após dia até que um dia nada sobrará de nós.

Life sucks and then you die.
- I wish I could be so lucky.




segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

My heart gets hyperactive.


Descias pela rua vestida de branco, tinhas o vestido manchado de sangue, o meu coração acelerava a cada momento, sentia que me ias matar a qualquer momento. Enquanto tu descias a rua, eu subia. Caminhávamos em direcção um ao outro pela estrada fora, à volta não passavam de árvores despidas e casas desabitadas.
Os minutos aceleravam e transformavam-se em segundos, o nosso encontro estava para breve, a iminência penetrava-nos e os olhos, já conseguia enxergar os teus olhos.
Antes do sol aparecer e antes de as flores crescerem já nós existíamos, a caminhar em direcção um ao outro até ao fim dos nossos dias, estavam breves esses dias, já os podia sentir. O vento soprava no sentido contrário do teu rosto, levando os teus cabelos compridos para longe do teu corpo.
Antes de eu saber o que estava a acontecer tu já me tinhas apanhado, o meu coração corria, tornava-se hiperactivo então os teus lábios também. A agonia da inveja invadiu-me, só queria ter sido mais frívolo, olhando para trás... Só queria ter sido mais frívolo.

Devia te ter segurado, eu devia ter te segurado.

Via os momentos todos da nossa vida inútil a passarem-me à frente, imagem por imagem, como num filme, revivi a minha vida em segundos que pareceram anos, nunca vi morte tão dolorosa como a minha.
O vento fazia escorrer o meu sangue pela estrada fora, não aguentei depois de todas as noites enfiado naquele quarto, os Invernos todos a que sobrevivera e toda a ilusão a que fui submetido.
Simplesmente não aguentei.

Ainda hoje ouço a canção...

"Flor de luz reluz
Brilha o tempo é teu
Volta tudo a trás
E trás o que foi meu.
Feridas vais sarar
Do que aconteceu
Salva o que eu perdi
E trás o que foi meu
O que foi meu..."

"Her lips get hyperactive, so hold her now."

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Elegia.

Lamentação lida
Nos versos dos teus lábios,
Fugazes as almas que me acodem
Neste labirinto interno de desordem.

Ruas estreitas e vazias
Onde a escuridão predomina
Avistam-se homens de sabedoria
Na luz da esquina.

Passos acelerados vindos do fundo
Onde serpentes em magoas se afogam
Lutando pelo lugar mais imundo
Neste fim de mundo.

Sangue correndo pelas ruas
Onde belas moças passeiam nuas
Levando mortos às costas
E mágoas arrastam-se pela fúria.

Derramando pétalas no rio
Apenas para perder a alma no brio.

sábado, 8 de janeiro de 2011

The spirit flown forever.

O relógio de cuco marcava meia noite, andava de um lado para o outro esperando a hora da morte em que a sua alma voaria para sempre, morto por dentro, vivo por fora... Os seus vasos sanguíneos continuavam a levar o seu sangue em direcção ao seu orgão muscular mais oco, a realidade assustava-o, não existe pior que a realidade, tão crua e fria. O seu coração não passava de um orgão muscular oco na sua verdadeira existência.
Viveu em sonhos durante anos, prendido a memórias fictícias e perdido na irrealidade... A sua ficção valeu-lhe fortuna, o que seria a fortuna sem nada saber de verdade? Apenas sabia o que os outros queriam saber, sabia viver na ilusão do pensamento. A sua busca pela realidade tornou-se infinita, não havia pontas reais no seu mundo e quando se deparou com a realidade, a monotonia preencheu-lhe todas as artérias levando-a com o seu sangue directo ao seu coração, tornando a monotonia sua.
A realidade, sendo ela qual for torna-se o que nós quisermos mesmo havendo uma realidade global que não passaria de monotonia na sua vida, realidade global...
Entre esses pensamentos infinitos o relógio bateu as três da manha e com isso cai no chão, morto e muito menos insignificante do que fora, agora era pedra de gelo onde a realidade interferira com a sua vida, com a sua própria fantasia.
O mordomo entra pelas cinco e meia da manhã puxando o corpo morto pelas escadas acima e atirando-o para o rio da janela do ultimo andar, de modo a que parecesse suicídio, o mordomo não estaria a contar é que ele se levanta-se das profundezas da agua às seis da manha segundo o relógio de cuco. Tudo isto para chegar à conclusão de que a realidade global não é realidade pura e que a sua própria realidade o salvou da morte pois em vida escrevera:

A névoa da noite que encobre

Cospe na morte quando essa acorda
Deixando o inicio do dia
Para um começo de uma nova vida.





sábado, 1 de janeiro de 2011

Don't leave me alone just let me live on my own.

Os movimentos deles eram prévios a pensamentos e mexiam-se com lentidão, com certa exactidão. A musica varria a sala num tom melodramático, sentaram-se em um sofá velho cor púrpura, sentaram-se numa cadeira branca ferrugenta... Sentaram-se no chão. Dançaram, falaram, observaram e por muito que as suas bocas fossem silencio, nunca eram tédio. Os seus olhos olhavam para as luzes que percorriam a sala, o bar vazio e as suas almas alimentavam-se daquele conforto, daquela perfeita combinação entre espaço, tempo, som e vida. Aquelas pobres alma alimentavam-se de infelicidade, de insanidade e pensamentos sem fim... Aquelas almas dominavam todo os espaço em seu redor, combinavam todos nas suas diferenças e igualdades.
Ele sorriu, o rapaz que se encontrava no chão sorriu... A alma dele transmitia pacificidade, calma, ternura e ao mesmo tempo ilusão, confusão e um certo mistério em quanto a rapariga mais perto dele transmitia infância, inocência, condição e irrealidade. Ao seu lado encontrava-se quem mais transmitia presença, ao seu lado estava ele, o senhor da vida e dos pecados, pobre dele que se deixa levar pela vida, vivendo de argumentos e acasos.
A outra rapariga na ponta do sofá radiava felicidade, não, tenho a certeza que não era felicidade comum, era diferente, pois o máximo de felicidade que essa rapariga consegue dar é essa, é um sorriso e tudo que ela não oferece em felicidade contribui em amor, carinho e compreensão. Em ultimo e não menos importante, estava uma pequena jovem na cadeira branca que observava tudo aquilo com uma enorme fascinação, estava radiante apenas por sentir aquilo, sentir que quem estava ali era muito mais do que aparenta e que ela própria se encaixava no meio daquele caos.
Caos de aparências sem fim e sonhos apagados pelo tempo.

Don't leave me alone just let me live on my own.




In the middle of chaos we found safety.