quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Interlude

Tinha sede, bebeu. Era noite, era escuro.
Movia-se lentamente pelo chão, com uma queda brutal, vazia de algo único.
Os olhos abriam e fechavam como qualquer pessoa acordada o faria, uns momentos tudo era preto, uns momentos tudo eram imagens.
Estes intervalos sem ver, não os queria.

Era dia, era claro, era cinzento claro.
Os olhos voltaram a abrir, estava longe da agua, movimentou o braço, só mais um pouco, só mais um pequeno gesto.

O dia por trás da janela, o dia lá fora.

O dia cá dentro.

Jantar, não havia.
Agua.

Deitar, debruçar, rebolar.

Acordar, já não era dia, já não era noite.
Já não abria os olhos ou fechava, já não havia gestos.
Apenas agua.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Love cats.

Rolando lentamente
Nos teus braços peludos,
Rolando na paixão ardente
Que transita de abraços a sonhos humidos.
Vergando vestes de seda
E máscaras de alcatrão.
Caindo na própria ilusão,
Perdendo a própria noção.

Os passos que nos rodeiam
Fazem tropeçar sem parar
Até ao fim da rua do amor
Onde gritos nos invadem de prazer
E tão pouco de dor.

Lambe-me a face como um gato
Rasteja até mim como um rato
Procura o teu prato
No meio do meu asfalto.

Tu queres sempre mais, mais, mais.
Sabia que vinhas novamente
Com o teu passo pesado para voltar
A tropeçar na minha mente
Que tão te atormenta.
Que tão pouco te afugenta.

I will do anything for you.