terça-feira, 19 de março de 2013


Eu não me lembro de me levantar, vestir e chegar a casa ao final do dia. Abro e fecho os olhos - o dia passou.
As cores vibram loucamente e rastos de sombras percorrem todo os espaço. Fecho os olhos, dois ou três dias acordo - noutra casa, feliz. Não me lembro de ter aqui chegado ou do que antes tinha acontecido, uma luz abre-se dentro, dor e grito, suspiro rápido e não me lembro de novo.
- Onde é que é a minha casa mesmo?
Fui comprar pão, voltei 3 horas depois. Não sei se é real ou se o tempo passou rápido, disseram-me que existia. Não sou mais eu na fotografia, apaguei-me da memória.
Aproveito todos os segundos em que não se existe - não sei das chaves de casa, nem qual destas roupas é a minha, penso que se calhar estou vestida ao contrário.
Acordo de um sonho duas vezes -  quando estou a dormir e quando estou acordada. Paro - duas horas a olhar para o vazio, sem movimento, o cigarro à muito que já se apagou e o café está para fechar.
Quando dou por mim, mudei a mobília do quarto, não sei quem o fez mas dizem-me que fui eu. Não me lembro de ter aprendido a cozinhar ou de realmente gostar de lavar a loiça - mas tive um bom jantar.
Alguém me comprou um novo bloco, lembro-me de tê-lo feito. Mas acima de tudo - Oh meu deus eu tenho mãos...

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