sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O tempo estava cinzento todos os dias para Eleonora, ela afiava as suas facas dias após dia, uma para o peito, outra para os ouvidos, outra para o ventre, outra para engolir tão fundo que já nem os pulmões pudessem aguentar com o ar poluente da cidade.
As lágrimas eram diárias, umas corriam as outras e ela guardava-as em potes, tinha potes de lágrimas espalhados pela casa, chorava porque o amor não a chamava, chorava porque o amor a matou e chorava por não amar mais ninguém sem ser a sua pobre solidão.
Vivia com um gato e um coelho, era raro espreitar pela janela e apenas o fumo do tabaco preenchia os seus dias cheios de melancolia, claro, não esquecendo as suas facas, caso um dia o seu querido falecido volta-se dos mortos para lhe roubar a sua solidão que ela tanto estimava.

terça-feira, 28 de julho de 2015

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As serpentes escorregaram das raízes e as peles foram arrancadas das carnes... As luzes feitas de facas afiadas espedaçavam-me o peito, triste peito que não se ouve no barulho, na multidão apenas a três segundos do chão, pronto a cair, pronto a escorregar, pronto a ser segurado a milésimas de ser espedaçado.

No silêncio ouve-se o cristal todo a ser quebrado, o brilho a  ser emanado, mas quem vê de perto sabe bem o que é só querer descançar e o chão ser demasiado pequeno para o sangue que está dentro poder todo derramar.

Volta, volta, volta ao interior.
Volta, volta, volta ao interior.

A dor nunca é a minha mas fingimos que transfiro o que é meu para o outro ou o que é teu para mim, fazemos de conta que não sinto nada e se calhar não sinto mesmo. Afinal de contas já perdi a linha do que é teu ou o do que é meu.

E gritam me se prefiro a faca à pena, a suavidade ou a morte... Meu amor, ambas me destroiem, ambas me corroem.

Seda ou lamina a linha é muito ténue, hoje só o vermelho, sangue ou vinho e mais um pouco do teu carinho.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

i push my fingers into my eyes


I create wonderful places,                                  
 Wonderful laces between 
God's love and evil hate.
I close my eyes 
So I can not see 
But when I am wide open
All the world sees me
How wonderful is to be both
How wonderful is to be alive
Even for miserable days
I enjoy every suffer
Every hate and every love
I thank god for my place
How someone can be truly in despair
For being alive.


quinta-feira, 28 de maio de 2015

.

I point my fingers into the edge
I taste my red and my black protects
The wings are metaphors
So what I show it's my divine suffer
I point my toes to the floor
And I dance wild in my beautiful creation
I remember crying in closed doors
Today I am new to the world
Yet not quit right
Not quit right.

º Unlace the brain º

And loved shiny stars
Going out in blue and red
To my point of view
To my dream in cruel thoughts
To my cherry top tree
I swear to god I am the only one
Between the garden of evil
Who wish to become real
To not lose the feel
To remember to breathe
To touch the wind and the river
To touch the unspoken mind
With true real magic feelings. 




segunda-feira, 11 de maio de 2015

◎❂

They told me to go to heaven we have peace love and every kind of magic in the world, they sold me to hell with cookies, whiskey and martini and I told them snakes are into circles, snakes eat themselves alive, snakes lives by the light, snakes change skin, snakes lives within.
                                                                             

                           
                                                                        both.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Sarar ◉

Acordo contigo ainda a sufocar
O meu subconsciente.
De sonhar a esboçar
A tua pele ardente.

A torrada entranhada no dente,
A tua cara na minha mente.
Que nojo de vida
Quando me sinto uma amada perdida
Louca para te encontrar
E te rasgar toda essa máscara
Caralho, sára!

A água limpa-me o corpo
Mas nada, sára!

O azulejo frio
É como o teu peito
Duro e ordinário.

Saiu numa tentativa de te ver
Mas acabo a beber.
Mais um litro
E dou-te um tiro
Bem no meio desse vazio...
É desta que piro
Meu amor é doentio.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Eu encontro-me sozinha, por vezes no escuro e muitas vezes na luz. Sou quem espera, sou a pessoa que fica a olhar para o telefone, a ver as horas a passar. Ninguém se lembra na gritaria toda do dia a dia que o minuto escorregou, vomitou, entropeceu-se e nunca mais voltou. O correr para lado nenhum do dia a dia. A fábula da correria.
Sou aquele que ninguém gostou, o que não tem para onde correr, por vezes por ninguém o querer, outras por não haver o que fazer.
O que queimou rápido, incendiou e nunca mais apagou.
O cuspe cheio de catarro de alguém que já amou, onde as entranhas abominam o amor e a ferida que corroi já à muito se apagou.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Eu quero dizer, sim, estamos a afundar. Mas, a música é excecional.


As ondas balançam com o vento...
Ás vezes tão suavemente que parece um tormento.
Ás vezes tão violentamente
Que se retoma envolvente.

Atiramos pedras ao mar
Num acto de ódio.
Mas para as pedras foi uma oportunidade para voar,
Quando achas-te que tinha sido um assédio
O mar só se sentiu a abrasar.

Enterramos os pé na areia
Para o mar não nos levar.
Dás-me a mão como quem anseia
Por se aprisionar.

Erro meu ao achar que querias mergulhar,
Vejo-me no meio das ondas a afugar.
Observas de fora como quem tem medo de ir,
Não sei ao certo se é de ir ou de vir.

Estou sem ar 
Mas a música no meu coração
Começou a vibrar.
Todo este maremoto uma emoção.

Ás vezes molhas os pés,
Mas arrependes-te das tuas ações
E quando começo eu a ir embora
Corres tu pelo mar fora.

Ouço te a gritar:
Sim, entra... Eu quero dizer, sim, estamos a afundar.
Já dentro com o meu amor incondicional,
Digo: Mas, a música é execional.



Quando a vi

Foi a primeira vez que senti
Que o negro tem amor,
Que não é apenas dor...
É um mar de ternura
Em que um olhar te endura
As emoções violentas
E te causa ondas magneticas
Arrebentarem te com sensações sedentas.
Luzes frenéticas
Abalam com quais quer septicas
De que o amor é a história
De actos de euforia
De raparigas adolescentes
Com sadomasoquismos decadentes.

Quando a senti
Foi quando pressenti
Que seria o fim
De mim.
As mãos dela percorreram-me o corpo
Embalaram-me num sufoco
De ardor emocional.
Corto-lhe a pele para atingir
Um diferente patamar dimensional
Em que me faz cair.
Hm, em que nos faz cair.
Caiu-mos sem nos conseguirmos levantar,
No sangue de cada uma
O peito começa a berrar
Derramando a alma em bruma.

Quando foi para despedir
O vazio devastou-me.
Foi precisar de casa e não ter a quem pedir,
Foi atingir o acume e perder o lume.
Não saber a quem dar
Tudo o que restou em mim para amar.
Afogar em vinho
Todo o meu carinho.
Querer morrer
E não o fazer
Por ter medo de nunca mais a ver.
Escrever este poema
Como mais uma algema.
Amaçear o mundo
Com fogo
Numa tentativa falhada
De pedir socorro.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Há uma guerra
Derramando dentro de mim.
Sou vida que exaltada berra,
Sou morte negra que me quer retirar da terra.
Sou o espectador
Deste enorme amor.
Um dia sou rainha
Outro dia já só resta erva daninha.
De um extremo ao outro
Observo neutro
Esta luz que me invade,
Esfaqueia o escuro
E sente que cometeu uma atrocidade
Por ter abalado o muro
Que existe entre nós.
O negro em mim
Responde com vazio.
Vejo a vida a chegar ao fim...
Tudo em mim faz frio.
A luminosidade em mim torna-se vermelha,
Explode como uma puta fedelha
Que me corta a paz.
Arranca os pedaços frios de mim,
Enche-me de calor,
Arrebenta-me com dor
Com a desculpa de que é tudo amor.

Vem fazer de conta eu acredito em ti

Tropeço nas tuas mentiras
Enquanto desaperto as tiras
Que me ligam a ti.

Choras porque fugi,
Choras porque pensas que te agredi.

Sou a tua pétala
A quem roubas a vida
E prendes numa cela.
Enches-me de herbicida
Porque tens medo que o meu amor seja contagioso
E acima de tudo doloroso.

As lágrimas caiem sobre a tua frieza,
Não tenho a certeza se é tristeza…
Alguma coisa em mim se foi.

Não sei se é a tua presença que me abstrói
Ou se apenas dói.

Dói esta mutilação de emoção
Esta falta de coração
Se o meu sangue escorre é por ti
Não posso negar que pressenti
Tu a fugires de mim
Como Abel de Caiem.

Raspo a pele à lamina
Num gesto de pantomima
Desesperada por sentir
Que se eu desistir…

Tu vens me mentir.

segunda-feira, 2 de março de 2015

http://emmana.tumblr.com/post/112557456698/i-take-my-blade-to-make-sure-im-not-going-to

I take my blade
To make sure I’m not going to fade.
I land on my feet
When I bleed.
The monologue inside of me
Hurts the soul
I feel like a red sea.
I’m pouring my violent emotions
In constant motion.
Who looks at me isn’t sure if I’m a person or a wound
I’m a torment unsound
Ready to be found.
I shatter from inside out
I cry with all my doubts.
The hunger consumes my heart
It turns inside like a fist into a wall
I stare blankly into the floor below
And pray to not fall.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

I'm all the days you choose to ignore



I reach the end
There's no signs here, no lights.
The poetry once in me went away,
There's no desire, no fulfillment.
I no longer stab my own heart
In order to feel something,
My heart breaks my knife
My heart turns into stone.
If someone knocks
I'm not here,
I'm the one who left.
My body is now a canvas of scars
Of stories left behind.
A thin silhouette marked by darkened lines.




segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Shrink

People don't understand why I shrink myself,
Why I look like I'm trapped in a comfy ball,
Why I chose to not go, why I chose to not pursue life
And instead, I lay down in the bed looking for reasons to not exist.
When you are in my condition you basically have three options:
One is - you go literally crazy, spreading, shouting words to the unknown
Painting your house at 4 am, fast speech of the light
Embracing your body like you are motherfucking piece of art
Creating and producing everything you didn't do for the last six months
Because you were in the fase two.
The fase two consists basically in crying yourself to sleep every fucking day,
Searching every type of suicide on the web
Hitting on your boyfriend because he doesn't loves you,
But he really does, but you don't believe it how someone can love such a mess.
People are following you...
You are being followed by the fucking air, by your fucking shadow.
Repeat.
Eventually you get tired of this situation and there's when you get to fase three,
Where you literally give up... You dont' dress to impress
You dress because it's there,
You don't eat because you are hungry, you eat because it's there
You only go out because that's what is supposed to do.
Everything is not great but nothing is miseareble,
You couldn't care less.
Your friends are ending college
You are trapped in a non being, netflix all the day.
They tell you should do projects and appreciate life
But when you were literally the most happy person on earth
When you could touch the sky and say I am god!
They were the first ones to put you in the hospital
Because there is no such thing as too much happiness…
When you were paitning canvas with your own blood,
Collecting your tears to make a real river,
Following your own projects,
They were the first ones who said you should fucking sheer up!
Art doesn't have to be so macabre,
Your life doesn't have to be like the passion of christ!
And then that's when it hits you!
It hits you that you can no longer persue your pourpse,
Because that means,
You are going insane.

domingo, 25 de janeiro de 2015

People like me.



People like me spent half of the year binging in the bed,
Reading articles about mosquitoes, crying to sleep with sheets full of blood
From all the times you cross a knife in you chest,
Because your wrists, don't have enough space left.
People like me spent half of the year not eating and not sleeping.
Going to the museums and meet too much people to even remember their name.
We spent all the insomniac nights having sex with strangers.
People like me don't know what is waking up one morning
And being sure that the walls are not melting,
That your mother was not abducted by aliens.
People like me are prescripted ten types of meds
Which you know that all of them will enter in your mouth
At the same time followed by one bottle of vodka.
People like me wake up in the hospital
Afraid that they have to leave. 


To the people who stare at me in the street.

To the people who stare at me in the street,
To the people who stare at me when I pee
To the people who stare at me when I'm not me.
This starts when I was young and I couldn't understand
Why people would just plainly stare.
At first I thought they could care
With me being so young and already so lost
Unbearably, unpredictably crazy, mad and above all, frustrated.
I was fucking hallucinating that I literally could eat the colors on the wall
And people would just take the hand of their kid.... And run,
But I just wanted to have one friend who could see it with me and have fun.
I was so convicted that my fantasies were real
That I thought people would stare at me because they could feel my energy,
They could tell how powerful I was and how I could read their thoughts.
Growing up I thought I could keep this up,
I would revolutionize the world, that no longer we all would be oppressed
I had super powers, I was a visionary.
But... I also discovered that we are the oppression,
We are not oppressed from a magical being watching us from above,
We are literally stupid enough to keep staring with passion
To the one who is making the choice to fucking lick the wall!
Because we think we have the right to judge,
That we are all superior individuals with magic powers
To descriminate a human being for his own choices
Of peeing in the middle of the street
Where you fucking insult a child for licking walls.

domingo, 11 de janeiro de 2015

A dor profunda não se sente, não é abalável, é um encontro com o vazio, o desespero eterno de nada haver. Lágrima seca que não se repete, desabafo de quem suspira pelo que não se quer, de quem derrama o que se já não se tem.
Sobrevive-se cambaleando, cuspindo restos do que algum dia foi amor.