terça-feira, 21 de abril de 2015

Sarar ◉

Acordo contigo ainda a sufocar
O meu subconsciente.
De sonhar a esboçar
A tua pele ardente.

A torrada entranhada no dente,
A tua cara na minha mente.
Que nojo de vida
Quando me sinto uma amada perdida
Louca para te encontrar
E te rasgar toda essa máscara
Caralho, sára!

A água limpa-me o corpo
Mas nada, sára!

O azulejo frio
É como o teu peito
Duro e ordinário.

Saiu numa tentativa de te ver
Mas acabo a beber.
Mais um litro
E dou-te um tiro
Bem no meio desse vazio...
É desta que piro
Meu amor é doentio.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Eu encontro-me sozinha, por vezes no escuro e muitas vezes na luz. Sou quem espera, sou a pessoa que fica a olhar para o telefone, a ver as horas a passar. Ninguém se lembra na gritaria toda do dia a dia que o minuto escorregou, vomitou, entropeceu-se e nunca mais voltou. O correr para lado nenhum do dia a dia. A fábula da correria.
Sou aquele que ninguém gostou, o que não tem para onde correr, por vezes por ninguém o querer, outras por não haver o que fazer.
O que queimou rápido, incendiou e nunca mais apagou.
O cuspe cheio de catarro de alguém que já amou, onde as entranhas abominam o amor e a ferida que corroi já à muito se apagou.