sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O tempo estava cinzento todos os dias para Eleonora, ela afiava as suas facas dias após dia, uma para o peito, outra para os ouvidos, outra para o ventre, outra para engolir tão fundo que já nem os pulmões pudessem aguentar com o ar poluente da cidade.
As lágrimas eram diárias, umas corriam as outras e ela guardava-as em potes, tinha potes de lágrimas espalhados pela casa, chorava porque o amor não a chamava, chorava porque o amor a matou e chorava por não amar mais ninguém sem ser a sua pobre solidão.
Vivia com um gato e um coelho, era raro espreitar pela janela e apenas o fumo do tabaco preenchia os seus dias cheios de melancolia, claro, não esquecendo as suas facas, caso um dia o seu querido falecido volta-se dos mortos para lhe roubar a sua solidão que ela tanto estimava.

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